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  Coisas de Ary

Contudo, eu tenho medo da morte. Não da morte em si mesma, como fenômeno natural, mas do aparato de que a rodeiam. Peço a meus parentes e familiares que não exponham meu cadáver, para evitar que os outros o vejam e comentem: "Coitado, como ficou magrinho!" Sou contra a exibição dos mortos, seja em capela, seja onde fôr. Lembro-me sempre de uma história que me contaram há muitos anos. Um sujeito morria e seu entêrro era concorridíssimo. Os acompanhantes, divididos em grupos, íam conversando. E o morto ouvia tudo: futebol, negócios, política, amores... Só não falavam dele. Ninguém o lamentava. Por fim, ouviu-se um soluço. Era o morto, que, à falta de outros, chorava a sua própria morte...
 
   
 
   
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5º Prêmio Ary Barroso
- 13/11/2014