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  O espirro
Ary Barroso

Espirrar, às vezes, é ótimo; outras vezes, horrível. Há caras que se transfiguram, que se retorcem, que se arreganham de tal modo nos prenúncios de um espirro, que chegam a fazer medo. Saber espirrar é uma arte. Pelo espirro, nem sempre, se conhece o nariz. Há narizes batatudos, vermelhões, ramificados de todo um sistema geográfico de veias, que espirram fininho, fininho. Há outros, delgados, gregos, impecáveis, serenos que, espirrando, lembram trompas guerreiras, fagotes, trombones de vara, bombos, enfim, toda uma escala cromática de instrumentos de... sopro. As mulheres, raramente, se deixam ver espirrar. Os homens não fazem cerimônia. E os espirros acompanhados de perdigotos? Coisa horrorosa! Os antigos achavam que espirrar era bom para descongestionar a cabeça. Então tomavam rapé. Que bom o espirro de rapé! Conheci um camarada que dava dezoito espirros assim de enfiada. Quando acabava, estava morto de cansado. O pior espirro é de "estrondo". É de amargar! Ca... taa... pimba! O caboclo chega até a tropeçar!