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  Marília Pêra interpreta as aquarelas de Ary Barroso
Ubiratan Brasil - 2003-07-30 - Estadão

As canções que eternizaram Ary Barroso como um dos principais compositores brasileiros ganham agora como intérprete uma atriz de primeira grandeza e sua voz cristalina: a partir de sexta-feira, Marília Pêra inicia uma rápida temporada (apenas 12 apresentações) de um espetáculo que celebra o centenário de nascimento do músico mineiro. "São 21 canções maravilhosas, algumas que eu nem conhecia e outras que adorava e não sabia que eram dele", comenta ela, estrela de Marília Pêra Canta Ary Barroso, que vai ocupar a Sala Rubens Sverner do Teatro Cultura Artística.

A seleção de repertório foi feita com a pianista Camilla Diaz, responsável pela direção musical e os arranjos, ao lado de Miguel Briamonte. "Montamos um programa dividido por gêneros", conta Marília. "Começamos com as ufanistas, como Aquarela do Brasil e Tabuleiro da Baiana; em seguida, surgem os sambas, como Faceira; depois, as românticas, como Inquietação; e, para encerrar, as carnavalescas: Dá Nela, Eu Dei e outras marchinhas."

A pesquisa revelou um punhado de composições complexas e incrivelmente ricas na estrutura musical. De fato, Ary Barroso foi um mestre que brilhou em todos os gêneros, compondo marchas, marchas-rancho, boleros, sambas-canção, sambões, valsas e valsinhas, música para carnaval, jongo, foxtrote, hino para colégio, música junina, charleston, tudo sob um incomparável rigor.

"Algumas canções exigem um grande preparo vocal, pois obrigam o intérprete a alcançar até duas oitavas", comenta Marília que, além do cuidado em seguir os registros das partituras, concentrou-se na memorização das letras. "São músicas de muitos versos, Ary gostava de estender sua poesia." Apesar de dominar a técnica para decorar falas, a atriz percebe um agravante quando se trata de letras de música. "Quando o texto é para teatro, é possível respirar. Já em uma canção, o fôlego tem de ser diferente, os versos têm outra velocidade, mais rápida."

Além de Camilla Diaz, Marília vai dividir o palco com Heloísa Torres Meirelles no cello e Míriam Fernandes Cápua na percussão. "Fiz questão que formássemos um grupo apenas de mulheres", conta a atriz que, assim, consegue uma integração que permite pequenas alterações, como interpretar a dor-de-cotovelo Folha Morta em um ritmo de blues. Ou uma quebrada no ritmo, determinada pelo piano de Camilla, que fornece um colorido novo à interpretação.

Depois de São Paulo, o espetáculo segue para o Rio e, em seguida, inicia uma turnê internacional, com apresentações em Londres (em setembro), Lisboa e Porto. Há ainda uma possibilidade de Marília Pêra Canta Ary Barroso ser apresentado em Dublin, Irlanda, antes de chegar a Portugal.

A carreira do espetáculo, aliás, prometia ser mais extensa - Marília foi convidada por um empresário, cujo nome gentilmente prefere omitir, para fazer uma turnê por dez cidades brasileiras. Eram apresentações tanto em teatros fechados como em praças públicas, o que exigiria diferentes versões no formato do espetáculo. Empolgada, a atriz iniciou a produção, mas logo descobriu que o empresário não teria recursos para bancar todo o roteiro planejado.

Foi quando o diretor Jorge Takla, seu amigo pessoal, viu um ensaio no Rio de Janeiro e, emocionado, decidiu viabilizar o projeto. Diretor da divisão de teatro da Corporação Interamericana de Entretenimento (CIE), Takla incluiu o espetáculo no projeto Brasil em Cena, que investe em montagens nacionais - a polêmica peça de Juca de Oliveira, A Flor do Meu Bem Querer, foi a primeira.

Textos - Jorge Takla supervisionou o espetáculo, que acontece em um palco de fundo branco, ocupado apenas pelos instrumentos.

As cores vêm no figurino usado por Marília e na iluminação. Ele também selecionou trechos de textos escritos por Ary Barroso, que serão lidos pela atriz entre algumas canções.

O diretor e a atriz planejam ainda outras produções juntos, como as peças O Sopro de Vida, de David Hare, e Jogo de Cena, de Victor Haim. A primeira foi montada em Londres com Judi Dench e Maggie Smith, duas damas do teatro. A idéia era repetir, no Brasil, a mesma santidade, com Marília e Fernanda Montenegro, mas não houve acerto de agendas. Takla procura, portanto, outra atriz.

Marília Pêra pode também montar a única peça escrita por James Joyce, Exilados, que foi recentemente lançada pela editora Iluminuras com precisa tradução de Alípio Correia de Franca Neto. O texto terá uma leitura aberta ao público, na segunda-feira, no teatro do Shopping Higienópolis. Ela comprou ainda os direitos de montagem da peça Vincent in Brixton, de Nicholas Wright, sucesso em Londres e Nova York.