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Minha vida foi uma luta terrível... (s/ título)
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  Pausa na montanha
Ary Barroso

Para quem vive cheirando gasolina queimada; para quem vive comendo picadinho nas boates; para quem sente o dever de trabalhar diariamente em busca de notícias; para quem passa as noites ouvindo as mesmas músicas, vendo as mesmas caras, conversando os mesmos assuntos; para quem é o incorrigível espectador da "vanity-fair", película seriada que já não provoca maiores emoções; para quem a monotonia dos elogios mútuos anda gerando a monotonia maior da vida; para quem vai do Jirau ao Sacha's, do Sacha's ao Farolito, do Farolito ao Beguin, do Beguin ao Jirau, do Jirau ao Sacha's e, às vezes, à cama; para quem vive cercado de arranha-céus e esmagado por eles; para quem vive no Rio, afinal, sair de vez em quando é bom. Foi o que fiz. Fugi da noite triste de Finados e me embrenhei pelo mato adentro. Serpenteei a serra de Petrópolis. Desci do outro lado e obriguei meu carro a esquecer um pouco o liso amigo do asfalto e entrar firme na terra batida. Fui ao "Madrigal". Um silêncio saudável. Silêncio das coisas vivas. Silêncio das águas crespas do lago. Silêncio com cheiro de mel silvestre que reconforta os pulmões. E se não houver silêncio, há o canto do sabiá, muito diferente dos gorjeios falsos de certas "aves canoras" das noites cá de baixo; há o sussurro do vento brincando com os leques dos coqueiros; há o barulho do rio que continua querendo abrir caminho por entre as pedras que algum cataclisma antiquérrimo jogou em seu caminho. Há o dia longo que começa às 8 e acaba às 18 horas, ou mais tarde, à vontade do sol. Há também um "biriba" familiar (trezentos réis o ponto), pretexto para os homens se divertirem e as mulheres aprenderem a contar. Sai cada briga... E depois há o sono-sono, sem pílulas e sem pulgas, sem pulgas e com dois cobertores. Agora, voltei e estou aqui. Continuemos. Não há remédio. Meus amigos, bom dia!