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  Medo de avião
Ary Barroso

Se tenho? Respondo: com-ple-ta-men-te! Já fiz três viagens aos Estados Unidos (ida e volta, pelo Atlântico e pelo Pacífico); já fui muitíssimas vezes a Buenos Aires ou a Montevidéu. Já cortei os céus da minha "pátria" em todas as direções. Já fui de teco-teco ao Paraguai! Mesmo assim, o medo continua. Quando subo as escadas de um "Douglas" ou de um "Super-Constellation" é como se subisse um pelourinho. Quando meu nome figura na lista de passageiros de um avião qualquer, toda a tripulação se prepara para as maiores chateações. Controlo tudo: a afinação dos motores, o teto, temperatura, altitude de segurança, estado do tempo, tudo! Não quero conversa com ninguém. Não como. Fico vendo os minutos. Fico descobrindo "campos emergenciais" de pouso. Geralmente viajo na cabine do comandante. Vou sentado à direita do comandante. Como co-piloto. Já conheço a estória de todos aqueles ponteirinhos. Sei como funciona o goniômetro e conheço todos os movimentos para uma boa aterrissagem. Mais: sei que avião foi feito para "voar"; que motor foi feito para "rodar"; que avião não cai - é derrubado. Sei de tudo isso. Não adianta! Tenho medo! E esse medo ficou permanente quando alguém, procurando acalmar-me, disse aquela velha frase: "ninguém morre a não ser no 'seu dia'". Toda vez que viajo, fico desconfiado de que chegou o dia... do comandante. E daí?