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O florista das madrugadas
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  O florista das madrugadas
Ary Barroso

É moreno. Magro. Mais alto que baixo. Anda sempre de terno completo, colarinho e gravata. Tem um sorriso de dentes feios, mas, simpático. Corre bares, vendendo rosas e cravos. Numa cestinha. Há pouco tempo trazia uma rosa em cada mão. Hoje, a mercadoria perfumada é mais farta e variada. Sinal de prosperidade. Ele chega sempre depois do segundo uísque. Quem é que se esquiva à galanteria de três cravos lindos e vermelhos para a companheira da noite? Gosto mais dele do que daquela senhora gorda que vende flores de papel à porta do Night-and-Day. Detesto flores de papel! A imitação industrial da flor é um crime estético. Substituir o aroma leve, a vida, a linha caprichosa de uma rosa ou a imponência colorida de um cravo, pelo arremedo inodoro de papel amassado, é desolador. As flores naturais continuam a beleza feminina; as artificiais, deformam-na. Salve o florista de Copacabana que nos traz flores vivas e cheirosas com que enfeitamos, ainda que ilusoriamente, nossas conversas mansas à meia luz dos bares.